Seguidores

Reflexões de ELIANA P. CORREIA ROMERO


Produzir textos no contexto digital foi importante, pois quando outras pessoas têm a possibilidade de ler e comentar os nossos textos, nos ajuda a crescer.
Ideias novas são sempre bem vindas e cada um passa a ter uma nova visão de determinado assunto.
Eu já gosto de trabalhar com textos diversos, já faz parte da minha disciplina, a contribuição dos colegas de outras áreas é produtiva.
Agora, podendo acessar o blog do grupo, cada um pode contribuir com novos textos e ideias, na hora que quiser.
Esse contato será muito válido e importante para todos.
Agradeço aos colegas participantes e a nossa tutora Claudia.
Gostei das suas intervenções e acho que você foi bastante compreensiva e tranquila durante o curso. 
Espero que não percamos o contato.
Um grande abraço à todos!!!

Reflexões de JOAQUIM AUGUSTO DE ALMEIDA SOARES


Participar do Curso 1 do Programa Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade, Leitura e Escrita em Contexto Digital, foi muito importante para mim, como professor da Educação Básica na rede pública estadual, mas também para minha formação cultural pessoal.
O contato com colegas de outras regiões e de outras áreas do conhecimento em constante troca de experiências fortalece nossa formação e enriquece o trabalho em sala de aula. Pessoalmente, considero muito importante a orientação de toda a equipe de tutores formada por profissionais da educação ligados à vida acadêmica ou de alguma forma envolvidos com a melhoria da educação pública. Penso que a utilização de novas tecnologias de comunicação e informação, em especial das redes sociais, tem tornado possível um novo modelo de formação continuada e reflexão sobre a prática dos professores.
Esse primeiro curso permitiu que me sentisse mais seguro quanto às possibilidades de trabalho com letramento digital, na perspectiva de torná-lo acessível a todos os nossos alunos, possibilidades essas que apontam para a democratização do conhecimento enquanto produto e produção cultural. Nesse aspecto vale ressaltar a produção e publicação de textos  no ambiente do curso e ainda nos blogs produzidos pelos grupos.
Ao trabalhar com grupos heterogêneos, o curso possibilitou uma experiência transdisciplinar mais próxima da realidade escolar cotidiana dos ensinos Fundamental e Médio, o que, sem dúvida, é mais condizente com “práticas letradas cidadãs e contemporâneas”, como esboçado no objetivo do curso.
Ao final deste primeiro curso não posso deixar de agradecer aos organizadores e aos colegas cursistas pelo empenho na produção e socialização de seus textos e experiências, em meio a tanta correria do trabalho cotidiano. Acredito que esse é um caminho alternativo frente ao pouco investimento na formação de docentes e na educação como um todo, em nosso país.

Reflexões da Ana Paula


O curso trouxe à tona uma discussão já não inédita, mas imprescindível : desenvolver comportamentos leitores e escritores em todas as disciplinas. Ou seja, ensinar a ler e escrever já não é apenas compromisso dos professores de Língua Portuguesa, mas de todos os educadores. Todos, na escola, podem somar esforços para este grande desafio.
Nesse sentido, o trabalho focou os gÊneros textuais como locomotiva , e não poderia ser diferente. Com certeza, professores de outras disciplinas, que não  a de Língua Portuguesa, também visualizaram a importância de um trabalho conjunto.
O mais legal foi que, além do conteúdo, bem oportuno diga-se de passagem, pudemos nos familiarizar com a ferramenta da informática e conhecer opiniões acerca do assunto. Gostei muito da metodologia aplicada. E, espero pelo próximo encontro.
Um forte abraço a todos os participantes e aos organizadores e tutores. 

Reflexões de Talia Pietra Soares


      As mudanças pelas quais a sociedade tem passado exigem transformações no processo de ensino-aprendizagem. Não é possível continuar educando por meio de técnicas e embasamentos pedagógicos que foram desenvolvidos visando alunos com perfis que já não mais existem. Consequentemente, os cursos de atualização necessitam se adaptar às exigências atuais e os professores precisam superar a resistência à tecnologia e à mudança, adequando-se às novas necessidades do sistema educacional,  que cada vez mais desvia o foco do professor, centrando-o no aluno. Esse foi o novo enfoque que o Curso de Práticas de Leitura na Contemporaneidade nos forneceu, exigindo que nós professores nos preocupassem mais com o aluno, respeitando sua individualidade, seus estilos de aprendizagem.
          Neste contexto, o curso mediado por computador adquire grande valor por apresentar ferramentas que propiciam a reflexão e participação ativa dos alunos, a troca de experiências e conhecimentos, bem como o desenvolvimento de habilidades diversas, não apenas intelectuais, mas também sociais. 
     Sendo uma professora de química, onde dificilmente viabilizava com seus alunos atividades que contemplasse habilidades da área de Linguagens e Códigos e suas Tecnologias o curso abriu novos rumos para minha prática docente. Além disso, a experiência de modificar alguns aspectos dentro do processo de ensino-aprendizagem utilizando-se essa ferramenta de grande interesse aos nossos alunos, que é o blog.  
O TRABALHO COM OS GÊNEROS TEXTUAIS


O GÊNERO INTERROGATÓRIO


A “VAN”
Fazia frio naquela cinzenta manhã de Domingo. Ainda chovia lá fora, quando acordei com os pingos fortes batendo com ferocidade no metal da veneziana do meu quarto. As horas pareciam ser bem anteriores às marcadas no relógio da minha cabeceira, afinal, amanhecera, mas o sol não esboçara qualquer sorriso, parecendo antecipar a tragédia que bateria à minha porta.
Foi uma madrugada barulhenta: trovões, riscos luminosos rompendo o céu, atravessando o meu quarto e quebrando o silêncio. Acordei, algumas vezes, com o alvoroço da chuva, impetuosa e constante, mas logo me acostumei com os ruídos e só despertei com o toque insistente da campainha.
Abri a porta e, antes de proferir qualquer palavra, deixei-me silenciar pela presença fria de um corpo estendido à soleira de minha porta. Não demorei a perceber que se tratava de um cadáver.
Ainda confusa, e mais trêmula do que os galhos movimentados pelo vento frio daquela manhã e com as mãos talvez mais gélidas do que a pele daquele infeliz, pedi, pelo telefone, a presença urgente da polícia, que imediatamente chegou até minha casa com várias pessoas, uma equipe completa. Enquanto uns fotografavam e outros se encarregavam de retirar o cadáver, um homem aproximou-se de mim e apresentando-se como investigador de polícia, pediu licença e, sentando-se ao sofá da minha sala, procedeu ao interrogatório:
_ Minha senhora, procure manter a calma e responda aos meus questionamentos com a maior clareza possível, priorize fidelidade aos detalhes, relatando mesmo aqueles que julgar irrelevantes. Não omita fatos. Peço que não faça distorções ou faça citações fora de contexto. E, principalmente, não esconda nada. Sua identidade será resguardada e seu depoimento será mantido no mais completo sigilo – começou ele em tom bem profissional.
_ Está bem – respondi ainda bem trêmula.
O investigador Ulisses Maltanaro, como me foi apresentado, prosseguia em tom constante:
_ De que forma a senhora chegou até essa cena que acabamos de presenciar?
_ Então... Doutor... Eu estava no banheiro. Tinha acabado de acordar, quando tocou a campainha.
_ Antes disso, a senhora foi acometida com algum barulho suspeito? Gritos, disparos, automóveis?
_ Não, doutor... Eu acordei com o barulho da chuva e, como hoje é Domingo, resolvi ficar na cama por mais algum tempo.
_ Quer dizer que, além do barulho da chuva e do som da campainha, nenhum outro ruído chamou a sua atenção?
_ Não, senhor... – respondia desviando o olhar para os movimentos da equipe lá fora.
Dr. Maltanaro continuava com uma concentração que só mesmo a profissão para garantir tanto autocontrole. E, seguia imparcial:
_ Durante a madrugada, aconteceu algo atípico, fora da normalidade, que lhe despertasse a atenção. Repito barulhos diferentes, movimentação estranha na rua?
_ Doutor, eu acordei algumas vezes sim, mas foi pelos sustos que tive com os trovões desta madrugada. A tempestade foi feia por estas bandas, Fora isso, não percebi mais nada não.
_ Ao abrir a porta, o que a senhora viu, além do cadáver?
Neste momento, hesitei. Talvez não devesse falar sobre a sombra virando a esquina. Fiquei com medo de me envolver e acabar como aquele coitado estirado à minha porta. Porém o medo não foi maior do que o senso de justiça. Meu depoimento talvez fosse, mesmo, o mais importante para aquele caso. E, quase sussurrando, continuei:
_ Eu vi um vulto contornando aquela esquina. Não consegui decifrar se era adulto ou criança, mas deu para perceber que era a sombra de uma mulher. Corria... vi um pedaço da saia que virava com rapidez.
O investigador parou, por alguns instantes, e parecia uma máquina escrevendo tudo o que eu falava naquele bloquinho que eu só havia visto nas novelas de suspense:
_ Procure lembrar-se de todos os detalhes – disse Dr. Maltanaro – havia mais alguém com esta provável mulher?
_ Não vi mais ninguém não, senhor.
Enquanto olhava para o interior da minha casa, o investigador, com ar meio sisudo, levantou-se, retirando do bolso o número e o nome do chamado que enviei naquela manhã para o Departamento de Polícia. E, com o olhar ora interrogativo ora exclamativo, desenrolou o Jornal da Cidade, com a manchete “POLÍCIA FEDERAL DESCOBRE CHEFE DA MÁFIA QUE COMANDAVA PROSTITUIÇÃO DE MENORES, NA PACATA CIDADE DE JACIÁ, INTERIOR DE SÃO PAULO”.
Fez-se um mórbido silêncio. Dr. Maltanaro corta a frieza, caminhando em minha direção com o papel do tal chamado:
_ A senhora confirma este endereço?
_ Sim, é o da minha casa.
- Pois então, leia esta notícia que acabou de sair do forno – prosseguiu ele, mais enigmático do que antes.
De início, não consegui ver quaisquer relações com o ocorrido à soleira da minha porta. Até que as frases finais ecoaram meus tímpanos como os trovões da tempestade da noite passada: “A VAN, PLACA BWO 3019, DE CAMPINAS, SP, COM 11 ADOLESCENTES FOI ABANDONADA À RUA D. FELICIANA ENTRE OS NÚMEROS 114 E 137, NO BAIRRO DE SÃO CRISTÓVÃO, NO MUNICÍPIO DE JUCIÁ, SP.
O tremor voltou. Olhei para o investigador, confirmando aquele endereço como sendo o mesmo do chamado, o meu :
_ Mas, doutor...
_ Minha senhora, todos os moradores desta rua prestarão depoimentos e o da senhora é encadeará os outros. Tudo indica que estamos frente a frente de uma investigação minuciosa dos fatos aqui ocorridos pelo tempo que for necessário, até elucidar todos os meandros, possíveis ângulos, pontos de vista e personagens envolvidos nesse assunto. Por favor, aguarde contatos.
A viatura da polícia cruzou a esquina guiada pela minha indignação, que mal consegui firmar meus olhos naquela “Van” parada há quatros casas da minha.

( ANA PAULA C.G.CRNKOVIC)

Os cinco grandes autores deste pequeno Blog

ANA PAULA CORREA GONÇALVES CRNKOVIC – São Carlos
       Sou professora de Língua Portuguesa desde 1993 e, atualmente, estou atuando na Diretoria de Ensino da Região de São Carlos. Gosto muito de criar projetos voltados para o estímulo à leitura e escrita. Sabemos que, neste sentido, o maior desafio da escola é "criar" leitores e escritores competentes. E, é justamente por isso que quando o assunto é trabalhar a leitura, nos seus mais diversos objetivos, penso em trazer atividades o mais criativas possível e, se é trabalhar escrita, não dá para fugir do processo.
Gosto muito de ver os resultados positivos após etapas de sacrifícios e, mesmo, momentos de desânimo.
Sem a menor sombra de dúvidas, acredito que todas as disciplinas podem, e devem, exercer o papel de trabalhar habilidades de leitura e escrita, na escola. E, é por isso que me identifiquei tanto com o perfil deste curso.

ELIANA P. CORREIA ROMERO - Ferraz de Vasconcelos 
Sou professora de Português no Estado há 19 anos, gosto de trabalhar na sala de aula.
Nunca fiz nenhuma atividade fora da sala de aula, e confesso que não tenho vontade.
Nas horas livres gosto de passear, ver TV, cozinhar e adoro cochilar depois do almoço.
Tenho um filho de 11 anos que está estudando na escola onde trabalho, estou gostando da experiência de ser sua professora, e também, estou gostando demais das turmas que escolhi este ano. Meu esposo me ajuda muito com as atividades on-line, isso me salva!

JOAQUIM AUGUSTO DE ALMEIDA SOARES – Jaú
Professor de História da rede estadual, na EE Frei Galvão, desde o ano 2000. Fiquei na coordenação pedagógica por três anos, entre 2005 e 2008. Também sou músico; leciono violão erudito e Teoria Musical no Conservatório Jauense de Música. Em 2012 assumi um segundo cargo como PEB II na EE João Pacheco de Almeida Prado, também em Jaú. Sou casado e tenho duas filhas.

TALIA PIETRA SOARES – São Carlos
Eu sou Talia P. Soares PCNP de Química na Diretoria de Ensino de São Carlos. Sou formada em Química pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e mestre em Química Analítica pela Universidade de São Paulo (USP).
Espero que a ambição formativa esteja presente nas discussões realizadas em nosso curso. Que este seja um espaço de trocas de ideias e formação contínua para que possamos ampliar as estratégias de ensino, consequentemente melhorar a qualidade da educação. 

PRISCILLA DE OLIVEIRA LIMA – Juquiá
         Falar de si é meio difícil, mas vamos lá. Estou na SEE há 10 anos, já trabalhei em muitas escolas com diferentes realidades, fazendo com que eu aprendesse ainda mais. Atualmente, estou há 3 anos na coordenação pedagógica e gostando muito do que faço. Trabalho bastante. Estou empenhada em fazer os cursos que são oferecidos pela secretaria para um melhor desempenho no meu papel de educadora.



O homem caído na porta

Após o ter encontrado um homem caído na soleira da minha porta, desesperadamente liguei para a polícia e logo fui prestar meu depoimento do ocorrido.
O interrogatório foi realizado pelo delegado Maúricio Dotta, que foi imediatamente me perguntando:
Minha Senhora, o que aconteceu exatamente nessa manhã?
- Senhor delegado, eu acordei, consultei meu relógio como de costume, fui até o banheiro pra tomar meu banho matinal. No meio do banho ouvi a campanhia da porta tocar. Enxuguei-me e fui atender a porta.
- O que verificou quando aberta a porta de sua residência?                                                               Quando abri a porta, delegado me deparei com o homem caído na soleira da porta. Então me aproximei para ver se o homem estava vivo e logo percebi, ao apalpá-lo, que o homem estava morto. Muito nervosa, liguei imediatamente para a polícia.
- A Senhora verificou se havia alguém pelos corredores?
- Não tinha ninguém mais ali, nem ao menos verifiquei um ruído no corredor.
- Certeza que não viu ou ouviu nada? Lembre-se que caso oculte algum fato para complicar nossa investigação e também para a Senhora.
- Não, Senhor. Não tenho mais nada para declarar.      
Como não havia mais nada para declarar e ninguém mais para depor sobre o ocorrido, o delegado deu por encerrado o interrogatório e dará seguimento as investigações. Espero que o caso possa ser esclarecido, pois é assustador você encontrar um homem morto na sua porta.                                                                             

                                                                                                                Talia Pietra Soares                                                      

Depoimento de leitura de PRISCILLA DE OLIVEIRA LIMA


Minhas lembranças são os contos de Cinderela, Cachinhos de Ouro, Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, O Sapo e a Princesa entre outos contos. Os livros tinham imagens brilhantes, mas não me lembro de nenhum momento de leitura na escola.
O estímulo a leitura veio mesmo na minha fase adulta e mais por razões profissionais. Amo livros, adoro folhear, ler algumas páginas e imaginar o contexto do livro.
Um livro mais recente que me marcou muito foi A Cabana, muito envolvente. Atualmente tenho lido mais sobre Educação.
A leitura é um mundo fascinante, mas que deve ser estímulado, as crianças devem ter contanto com os livros desde pequeninos uma coisa que é rara para os menos favorecidos é onde entra em cena  o papel da escola, proporcionar momentos de leitura,de motivação coisa que não me lembro do meu período escolar. 
Hoje vejo como a leitura é importante e como me vez falta.
Formentar a leitura no cotidiano escolar favorece muito mais o processo de aprendizagem.
Devemos fazer da leitura um hábito diário, faz bem a mente e ao coração. 
Presentei alguém com um livro.

Depoimento de Leitura de ANA PAULA CORREA GONÇALVES CRNKOVIC


Minhas melhores recordações com leitura são oriundas das conversas com minha avó paterna e das horas a fio com minha mãe.
Ainda sinto o gosto dos bolinhos que minha fazia enquanto contava histórias para mim e minha irmã. Eram, sempre os contos de fadas tradicionais, afinal, o repertório dela não era tão grande. Mas, olha, foram imprescindíveis para incentivar o gosto pela leitura entre nós.
Lembro-me que eu sempre pedia pra começar com a Cinderela, como eu gostava das repetições ! Sempre tinha um gostinho diferente apesar de sabermos como a história iria terminar.
O melhor de tudo era quando recebíamos a visita daqueles vendedores de livros e adivinhem qual foi a primeira oleção que eu e minha irmã adquirimos? Os contos de fadas, é claro. E, o momento mais marcante foi quando abri o livro pela primeira vez: parece que sinto o cheiro daquelas folhas.Tamanha era a curiosodade em saber se a história era mesmo como minha mãe contava. A vibração era tremenda quando constatávamos que era igualzinha : "- Nossa... mamãe estava certa mesmo!" ( kkk).
Já minha avó adorava contar histórias reais ( kkkk ), aquelas que chamamos de tradição oral. Vovó contava histórias de assombração e afirmava com todas as letras que foram vistos com os próprios olhos. E, querem saber? Eu não duvido não ! Morríamos de medo, mas não saíamos da sala . Para falar a verdade, até hoje tenho medo ao lembrar.
Não tenho dúvidas em afirmar que os primeiros contatos que tivemos com leitura foram  entre a família. Acho mesmo que pouco vivi a este respeito na escola, de onde não tenho recordações marcantes.
Hoje, vejo que as questões de leitura inverteram-se : nossas crianças tem pouco incentivo familiar, porém,as escolas muito investem em formação e materiais para fomentar a leitura. Penso que se as famílias se comprometessem mais com essa questão, nossas escolas teríam melhores resultados e os trabalhos seriam mais efetivos e eficazes.

Depoimento de Leitura de JOAQUIM AUGUSTO DE ALMEIDA SOARES



Um homem chamado Alfredo
Leitura e escrita em minha vida têm origem na figura de meu avô paterno. Não que ele tenha me ensinado as primeiras letras, mas lembro-me de, ainda criança, observá-lo lendo os jornais e ele os lia de fio a pavio, depois comentava as notícias e dava sua opinião. Aquilo era mágico. Soube mais tarde que frequentou a escola somente até o segundo ano, mas continuou os estudos em casa, com seu pai. Mais tarde, já casado, contraiu tuberculose, que naquela época tinha como únicos remédios boa alimentação, repouso e residir em cidade de bons ares.
Assim, em Torrinha – SP, meu avô devorou livros, até livrar-se da doença. Foi somente após sua morte que descobri o significado da palavra beletrista, como o chamavam alguns escritores que lhe enviaram livros para que os comentassem.
Era um homem inquieto, escrevia com erudição e repetia de forma correta as frases que falávamos com erros. Dicionário ambulante, era necessário interrompê-lo alguns minutos depois, quando perguntávamos o significado de alguma palavra, pois a coisa ia longe, etimologia, variações, exemplos na literatura e um longo etc.
Foi em sua biblioteca que me apaixonei por filosofia e história, ainda adolescente e acordei para o universo da escrita e da leitura. Para mim, meu avô foi muito mais que um homem chamado Alfredo.

Viagem Literária de Talia Pietra Soares


A minha viagem literária começa com o grande incentivo de meus pais, que compraram as famosas “Fábulas de Esopo” e liam inicialmente para eu dormir.  Logo, a leitura passou a ser mais um hábito adquirido. Não havia mais nenhuma possibilidade de dormir sem a leitura de pelo menos um pequeno conto encantador como “A raposa e as uvas”.
No período escolar, tive o privilégio de estudar em colégio particular portador de uma imensa biblioteca e aí sim viajei por um mundo alucinante cheio de histórias, desde Coleção Vagalume, Monteiro Lobato, Ligia Fagundes Telles, poesias de Fernando Pessoa até leituras mais sofisticadas.
Tenho na minha lembrança também que realizava inúmeras leituras obrigatórias para a escola e vestibulares, mais essas, como a própria palavra diz OBRIGATÓRIA não me levavam a lugar algum dentro da minha imaginação. Leitura prazerosa e alucinante eram aqueles títulos escolhidos com muito carinho nas estantes da biblioteca do meu colégio.
A escrita já foi um caso bem diferente. Nunca fui uma escritora, somente escrevia quando solicitado nas aulas de redação da escola. Confesso que isso era meio aterrorizante, pois tinha uma professora muito exigente, Soeli Maria, que nos amedrontava através de notas muito baixas nas redações. Produzíamos os textos, que eram corrigidos por ela e inúmeras vezes. Textos iam e vinham para a reescrita e nunca estavam bons.

Depoimento de Leitura ELIANA P. CORREIA ROMERO

Quando eu era criança, meu pai trabalhava na Empresa de Correios e Telégrafos e trazia os gibis que iam pro refugo para nós lermos. Minha mãe brigava muito conosco porque deixávamos de fazer os serviços domésticos para ficar lendo gibis.
Quando fui para a 5ª série, a professora de português pediu que comprássemos um livro da série vaga-lume, chamava-se "A ilha perdida', gostei demais do livro e o gosto pela leitura começou nessa ocasião.
Fiquei maravilhada pelos livros.
Quando falo que já li por duas vezes um livro que tinha 611 páginas, os alunos acham um absurdo!
Continuo gostando de ler, mas acredito que a fascinação pela leitura foi maior na infância, talvez por não ter preocupações e tantas responsabilidades.
Eu procuro incentivar bastante a leitura com os alunos e sempre falo que o gosto pela leitura vai aparecer se ele estiver disposto a experimentar ler uma única vez. Digo que tem que ir procurando até encontrar do que se mais gosta de ler.
A leitura é uma viagem, você se vê na história, nos lugares.

O Interrogatório

O delegado Fagundes pergunta:
- Senhor Euclides, me relate o que aconteceu naquele dia.
- Bom, eu me levantei e fui ao banheiro para escovar os dentes e lavar meu rosto, quando ouvi a campainha tocar. Quando abri a porta, encontrei o homem caído, estava frio. Liguei para o socorro.
- Então, o senhor encontrou o homem pela manhã?
- Sim.
- À que horas foi isso?
- 08 horas.
- Como o senhor tem certeza da hora?
- Porque costumo olhar o relógio da cabeceira, logo que acordo!
- O senhor não ouviu nada quando se levantou?
- Não, senhor delegado.
- Não havia ninguém, além do homem caído, quando o senhor abriu a porta?
- Não, olhei para os lados, mas não vi ninguém.
- Porque o senhor chamou o socorro, e não a polícia?
- Achei que poderia ser somente um mal súbito!
- O senhor conhecia o homem?
- Eu o vi algumas vezes, sempre de quarta-feira, mas não sei em qual apartamento ele vinha.
- Bom, o senhor será chamado para mais esclarecimentos.

                                          ELIANA P. CORREIA ROMERO

BOLETIM DE OCORRÊNCIA POLICIAL DE Nº 0013242


BOLETIM DE OCORRÊNCIA POLICIAL DE Nº 0013242

Às 8 horas do dia 25 do mês março do ano de 2012, nesta cidade de Dois Córregos, Estado de São Paulo, na sala do Cartório da Delegacia de Polícia, onde presente se encontrava o Del. Maurício Ramos, comigo, Escrivão de Polícia de seu cargo, ao final assinado, antes de iniciada a qualificação do conduzido, pela Autoridade Policial foram a ele esclarecidos seus direitos, previstos no art. 5º, LXII, LXIII, e LXIV, notadamente o seu direito de silêncio, conforme art. 5º, LXIII, da Constituição Federal, e art. 186 do Código de Processo Penal. Em seguida, passou a autoridade à QUALIFICAÇÃO DO CONDUZIDO: Marcelo Belmiro, brasileiro, RG. 99.49485, natural de Piracicaba - SP, nascido aos 23/11/1965, filho de Getúlio Belmiro e Ana Célia Antunes Belmiro, residente e domiciliado à Rua das Palmeiras nº 500, AP. 22, no Município de Dois Córregos, Estado de São Paulo. Cientificado das imputações que lhe são feitas e interrogado, nos termos do art. 187 do Código de Processo Penal, RESPONDEU: “Naquela manhã, acordei assustado, pois ao ver o relógio percebi que estava atrasado. Levantei-me e corri ao banheiro para escovar os dentes. Enquanto lavava meu rosto escutei a campainha, então, enxuguei-me depressa e fui até a porta, que estava trancada. Ao abrir a porta notei apenas um homem caído na soleira e não havia mais ninguém no corredor. Foi aí que me abaixei para ver se estava vivo, mas já estava frio como uma pedra de gelo. Fiquei assustado e corri telefonar para a central de polícia. E ali fiquei até que os policiais chegaram e me trouxeram até aqui como se eu fosse culpado. Mas foi só isso o que aconteceu”. Nada mais disse. Nada mais havendo, mandou a Autoridade Policial que se encerrasse o presente termo que, lido e achado conforme, vai devidamente assinado. Eu Paulo Henrique de Souza e Silva, Escrivão de Polícia, que o digitei.
 JOAQUIM AUGUSTO DE ALMEIDA SOARES

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS

Contar Histórias Pode Ser o Ponto de Partida para Excelentes Trabalhos com Leitura e Escrita



Não é novidade o desafio que muitos educadores enfrentam para trabalhar leitura e escrita nas escolas.Pensando nisso, algumas ideias são muito bem vindas a fim de diminuir a distância existente entre o aluno e as mais diferentes formas de ler e escrever.
A contação é uma prática que, se introduzida na rotina da escola, pode ser uma excelente alternativa não para incentivar a leitura como também para contextualizar situações de produção de textos que podem render muito.
Sendo assim aí vão algumas dicas para sistematizar o trabalho :
1) Apresentar o livro da história que será contada;
2) Apresentar o autor e ilustrador ( se houver);
3) Escolher a técnica que será utilizada para a contação;
4)Utilizar estratégias de leitura, sempre que possível, durante a contação;
4) Oportunizar situações de produção de texto de acordo com o que o enredo sugerir.


Pretendemos, neste blog, acender algumas luzes para este tipo de trabalho que , com certeza, vai dar bons frutos.

Abaixo, uma síntese de algumas técnicas de contação de histórias que  podem ajudar o professor a desenvolver este trabalho com simplicidade, mas eficácia.

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
                Contar histórias pode ser o chamariz para incentivar a leitura na escola. Para realizar uma boa contação é indispensável conhecer as técnicas de alguns recursos básicos para que a atividade cumpra seu objetivo.         Para tanto, este material está dividido em duas partes: Dicas e Recursos para contar histórias.
Com isso esperamos contribuir no cumprimento de uma das rotinas mais importantes da sala de leitura, fazendo valer o papel do professor responsável por este ambiente como mediador de leitura, que é a pessoa responsável por fazer a ponte entre o livro e o leitor.
DICAS PARA CONTAR HISTÓRIAS
        Aprenda a ouvir histórias, em primeiro lugar.
        Antes de começar a história, organize um espaço sem muitos objetos, elementos e movimentos que desviem a atenção de quem está ouvindo;
       Procure conhecer melhor as crianças, como funciona sua imaginação;
       Prepare-se estudando, pesquisando, ensaiando
       Faça uma seleção de títulos que despertem em você a vontade de passá-los aos alunos. É importante abrir o universo deles para diferentes narrativas, com temas como a vida e a morte, nossa origem e a humanidade, mitos etc.;
       Para se familiarizar com a narrativa, treine contando para amigos e familiares;
        Quanto mais a história for contada, maior o número de novas imagens que são incorporadas a cada cena. Esta é a peculiaridade da oralidade: cada um recria o conto.
       Comece a narrar para grupos menores, enquanto você conhece as suas possibilidades. Reúna os ouvintes em roda para que eles se sintam próximos de você;
       Pesquise e monte seu repertório. Com o tempo suas histórias ficarão mais fáceis de contar. E ganharão vida, porque você estará acreditando nelas;
       Procure sempre conhecer o universo das crianças para as quais você vai contar a história. O sucesso ou fracasso dos recursos que você vai usar depende disso. O lenço enrolado no cabo de guarda – chuva pode não significar nada para elas.
       Escolha recursos, como desenhos, bonecos, músicas e movimentos de dança, com os quais você se sinta mais à vontade;
       Use elementos expressivos, como imitação de vozes e movimentos com as mãos (estalar de dedos e palmas). Empregados na hora certa, eles fazem a diferença.
        Imagine os detalhes de todas as cenas e descubra a melhor maneira de entoar cada trecho (sem se preocupar em decorá-las).
        Preste atenção em alguns refrões ou frases de impacto que podem ser repetidos sempre do mesmo jeito - porque são bonitos ou soam bem.
       Projete a voz na sala e amplie os gestos para que o público não se disperse. Quando o enredo pedir um tom mais suave, todos entenderão o recurso e farão silêncio para ouvir.
       Descubra a pontuação da história: os momentos de respirar, de se surpreender. Assim, a história ficará viva em você. E você se surpreenderá naquele momento, junto com quem está ouvindo, mesmo que tenha contado a mesma história mais de 100 vezes;
        Todos os recursos são válidos para chamar a atenção: cantar, dançar, usar sotaque;
        É sempre bom usar objetos que estimulem a imaginação: um lenço enrolado num cabo de guarda - chuva pode ser uma linda rainha vestindo sua capa;
        Procure desenvolver sua sensibilidade. Se você acreditar que o lenço é a capa da rainha, a criança vai gostar mais do seu jeito de contar;
       Procure sempre conhecer o universo das crianças para as quais você vai contar a história. O sucesso ou fracasso dos recursos que você vai usar depende disso. O lenço enrolado no cabo de guarda – chuva pode não significar nada para elas;
        Ignore as peraltices de alguns e conte a história para o resto da classe. Se alguma coisa que os bagunceiros fizerem permitir, vale incorporá-la à performance, sem quebrar o clima da história;
        Contar histórias sempre envolve alguns imprevistos. O importante é não ter medo. Geralmente, as crianças querem que a narração prossiga. Então, elas vão ajudar você;
       Não tenha a pretensão de ensinar ou formar a criança. Apenas conte uma história;
        Antes ou depois da narração, conte de onde vem a história: de um livro, de um filme, da mitologia grega ou se aconteceu com alguém conhecido. Assim, a turma fica sabendo que também pode passá-la adiante;
       Acredite no que está fazendo.
RECURSOS PARA CONTAR HISTÓRIAS
Alguns dos recursos mais utilizados na contação de histórias são: a simples narrativa, a narrativa com o auxílio do livro, o uso de gravuras, de flanelógrafo, de desenhos e a narrativa com interferências do narrador e dos ouvintes.
Vale lembrar que para cada tipo de narrativa é mais adequada uma ou outra modalidade de contar histórias.
FORMAS DE APRESENTAÇÃO
1 – SIMPLES NARRATIVA
                Processa-se por meio da voz do narrador, de sua postura. O contador de histórias, que fica de mãos livres, concentra toda a sua força na expressão corporal. A entonação é tudo neste tipo de contação. Aqui, o contador também pode lançar mão de algumas estratégias de leitura, para que os ouvintes façam antecipações, inferências e conclua suas hipóteses ao longo da sequência dos fatos.
Exemplos: - O que será que vai acontecer agora?
                      - Como é a bonequinha que viram na história?
Entonação: sussurrar quando a personagem o faz na história, barulho de uma lata despencando do armário etc.
2- COM O LIVRO
                Este é um excelente recurso quando o livro é rico em ilustrações. Aqui, as figuras podem exercer a função de complementar os textos que compõem a narrativa.
                Aqui, o livro se impõe como forma de apresentar a história porque contempla a beleza do tema e a integração gráfica da obra, que já é conhecida do contador. Para este recurso é indispensável que o narrador já tenha estudado a história para que possa ir contado com suas próprias palavras.
                Usando o livro, voltado aos ouvintes, o contador vai virando, lentamente, as páginas com a mão direita, com o objetivo de mostrar o livro para o público.
                Para este recurso também é muito bem vindo o trabalho com as estratégias de leitura, propondo inferências aos ouvintes. Exemplo: “Que presentes você levaria se fosse convidado ao aniversário?” “Que desculpas daria se não fosse?”, “Que castigo a bruxa lhes teria preparado?”. Neste sentido, mais uma vez, a turma é conduzida a fazer antecipações e a concluir suas hipóteses. Podem ser feitas pequenas paradas para instigar os ouvintes de forma a interagir com eles de forma planejada.
                Algumas dicas podem tornar a contação ainda mais atraente tais como: alterações de voz, expressão do olhar, cantarolar, dependendo da cena que aparece, enquanto espera-se algo, por exemplo, (Ex.: a personagem está regando uma flor, dentro de um elevador etc.).
                Pode ser uma excelente alternativa para apresentar uma parte da história e estimular a turma a continuar a leitura (oralmente). O livro pode ser apresentado numa seção de leitura na sala de leitura ou outro ambiente alternativo planejado pelo professor.
3 – COM GRAVURAS
                Para utilizar este recurso, monta-se uma sequência de ilustrações referentes à ordem do enredo, ampliadas numa cartolina, papel cartão etc., considerando os elementos essenciais da história. Para montar a atividade, basta seguir os passos:
                - colocar todas as gravuras, em ordem, viradas par baixo, e, á medida que ocorre a narrativa, as gravuras são colocadas em um suporte apropriado sem interromper a naturalidade da contação;
                - dependendo do número de ouvintes, ao final, podem-se distribuir as gravuras entre eles e pedir que falem de que parte eles mais gostaram. Então, quem está com a figura apresenta e coloca no chão, lousa etc. Daí, segue a pergunta: “foi assim que a história começou?” E, quem tem o começo traz a gravura. “E depois, o que aconteceu?” A partir daí, a história vai sendo reconstruída;
                - Quando todas as gravuras estiverem na sequência, alguns questionamentos podem ser levantados a fim de implementar ainda mais o trabalho (“podemos retirar algumas gravuras sem que faça falta?”, “podemos mudar a ordem de alguma gravura sem prejudicar a compreensão da narrativa?” “Você acrescentaria mais alguma figura?”

4 - COM O FLANELÓGRAFO
                Este é o recurso adequado para histórias cujo protagonista movimenta-se muito durante o enredo, entra e sai num vaivém constante.
                O flanelógrafo é um recurso visual cujo objetivo é chamar a atenção do ouvinte transmitindo o movimento que a narrativa propõe em seu enredo. O recurso pode ser feito em um tablado de madeira revestido em tecido (como feltro, por exemplo) ou, ainda, um avental feito só para contar histórias.
                Diferentemente do recurso das gravuras, o foco está nas personagens e não nas cenas. Cada personagem é colocado individualmente, ocupando seu lugar, dando idéia de movimento.
5 - COM INTERFERÊNCIAS DO NARRADOR E DOS OUVINTES
                Embora em outros recursos também sejam propostas algumas inferências e antecipações, por meio de estratégias de leitura, o diferencial para o recurso Com Interferência do Narrador e do Ouvinte é que esta procura uma interação mais de perto e sistematizada com o enredo. Para tanto, é indispensável que o contador conheça muito a história a fim de programar os momentos exatos das intervenções. O objetivo é incorporar a interferência para tornar a narrativa mais atraente e facilitar a concentração dos ouvintes, principalmente quando se trata de um público maior.
Consiste numa participação ativa dos ouvintes pela voz ou pelos gestos. Para saber como usar este recurso, é preciso perceber se, na história, cabe a identificação de “refrões”, ou seja, falas, gestos ou sons que se repetem e que, por isso, merecem uma interação maior do público. Essas interferências podem ser:
·          De Falas: paradas estratégicas para que os ouvintes façam as antecipações e, a partir das respostas, o narrador faz a interferência, conduzindo os ouvintes a chegarem na resposta certa. Exemplo: “Sabem de algum lugar onde haja trabalho para um burrinho verde?” (muitas respostas surgem e quando alguém chega a certa, não há necessidade de apontá-la como certa, e imediato, mas de achá-la uma boa idéia, a fim de não antecipar o enredo. No momento certo, retoma-se a resposta dada). Em alguns casos, também é recomendável indagar a opinião dos ouvintes sem aguardar resposta;
·         De Gestos: momentos do enredo em que os ouvintes podem bater palmas, ilustrar passagens que se repetem e que podem ser ilustradas por movimentos pertinentes à história;
·         De Voz: repetição de um som que aparece no enredo (estribilho de um vaga-lume, por exemplo, ilustração com um “cantarolar” para introduzir uma cena. Aplausos, vaias.            
A escolha do tipo de interferência caberá ao tipo de enredo que couber um ou outro recurso.
·         De Grupo: o narrador prepara grupos diferentes para fazerem interferências durante o momento oportuno da história. Um grupo fala ou canta, outro gesticula, conforme o que o enredo sugerir. Tudo vai depender dos tipos de barulhos que existem na história, dos gestos que podem ser pertinentes, da música que pode representar uma determinada cena ou passagem que se repete.
A escolha da interferência contará com a sensibilidade do contador no momento que estudar a história e, assim, “enxergar” o que é oportuno e pertinente. É preciso cuidado para não transformá-la em um “programa de auditório”, pois ela deve surgir em decorrência do enredo e ser mantida em equilíbrio e sob o controle do narrador. A maioria das histórias oferece oportunidade de usar a interferência, mas as crianças devem habituar-se também a ouvir caladas, sem interferir.

ALGUMAS DICAS
Podemos, ainda, sugerir que alguns procedimentos sejam feitos antes, durante e após a narrativa. Tais pontos podem ajudar a garantir o sucesso da contação:
ANTES
Para preparar os ouvintes para receber a história, o narrador pode conduzir uma conversa com eles antes da contação. Esta mediação estará em conformidade com a temática abordada (Ex.: medo, solidão, bicho de estimação, família etc.). Trata-se de uma conversa informal com o objetivo único de predispor os ouvintes a conhecer a história, promovendo a empatia indispensável para esse tipo de trabalho, permitindo, ainda, que o narrador conheça melhor os alunos e dê a eles a oportunidade de falar.
Ao contador cabe conhecer bem a história que se propõe a contar, e dominar a técnica que escolheu para fazê-lo.
Um boa dica é estabelecer uma introdução antes de contar cada história. Exemplo:
“Era uma vez-
Assim vai começar
A linda história
Que agora vou contar.

Bata palmas, minha gente!
Bata palmas, outra vez.
Bata palmas, bem contente!
Vou contar...  “Era uma vez...”

DURANTE
O contador deve vivenciar o enredo com entusiasmo, sobriedade nos gestos e equilíbrio na expressão corporal. A voz é o principal instrumento do narrador. É por ela que ele transmite as emoções,sugerindo o que aconteceu, ora mais forte,vibrante,intensa, ora mais pausada, suave, num tom mais baixo.Saber adequar a voz e torná-la expressiva deverá constituir um treino constante para que ela possa ser utilizada em toda a sua plenitude.
Para a duração da narrativa, compete ao narrador diminuir ou alongar o texto, sabendo diferenciar os fatos principais dos detalhes.

DEPOIS
               Este é o momento de comentar as impressões que ficaram da história. Este procedimento pode aumentar a apreciação, promovendo novas leituras do enredo, das personagens e uma compreensão mais esclarecedora.
               “O comentário do ouvinte evidencia o feito da história e oferece condições d avaliar sua maior ou menor repercussão. É nessa fase, inclusive, que o narrador apreende reações básicas das crianças, aprimorando-se na prática da arte de contar e aperfeiçoando um estilo próprio”.

ALGUMAS SUGESTÕES
ATIVIDADES A PARTIR DA HISTÓRIA
               Associar práticas artísticas e educativas após a contação das histórias pode desencadear a criatividade, inspirando cada pessoa a manifestar-se, expressivamente, de acordo com as suas preferências.
               É importante lembrar que as atividades são espontâneas e delas somente participam os que quiserem.
1)      Dramatização: para enredos de fácil memorização, logo após a narrativa. Tudo é organizado na hora, sem necessidade  de ensaios, preparação de cenário, vestuário etc. Os próprios alunos resolvem as situações da dramatização.
2)      Pantomima: representação mímica do enredo, sem usar a voz.
3)      Desenhos, recortes, modelagem, dobraduras: dá a oportunidade de cada um expressar-se de acordo com suas preferências: desenhar, recortar modelar, dobrar etc. Conforme o que o enredo sugerir, poder entra com algumas sugestões (“Se fosse uma nuvem, com o que gostaria de se parecer?” “ Qual o vestido de La Íris que mais lhe agradou?”)
4)      Criação de Textos Orais e Escritos: aqui se faz valer a oportunidade que o enredo sugere. Cada história propõe a elaboração de diferentes gêneros textuais. Cabe ao contador a sensibilidade necessária para perceber e criar situações de produção textuais que melhor se adaptam.
Exemplo: Enviar uma carta para um determinado personagem, propor uma reportagem de um fato, a entrevista com a estrela da história ou com a personagem vítima de maus tratos, a notícia de uma tragédia ocorrida durante a história etc.).
5)      Brincadeiras: de acordo com o que sugere o texto; cantigas de roda, brinquedos folclóricos, parlendas, novas adivinhas etc.
6)      Construção de Maquetes: é a reprodução de uma ou mais cenas da história, podendo ser feitas com qualquer tipo de material disponível.


                                    PESSOAL, FICA AÍ A DICA




 Na próxima postagem, traremos a sugestão de um livro para contação, bem como um roteiro de atividades pós-leitura.
ATÉ LÁ !!!!